domingo, 23 de março de 2014

SAUDADES PERDIDAS ....



SAUDADES PERDIDAS

Esta são as saudades, 
Que não me deixam,
E que em tempos as perdi,
Que depois de muito andar,
Por serras, montes, vales,
Onde o vento passava, 
Uivava uivava e nada dizia.
Também percorri,
Caminhos, becos, veredas,
Onde o nevoeiro se dissipava
Me abandonava e eu nada vi,
De muitas terras longínquas,
Em cidades,vilas, lugares,
Onde gentes em correria louca,
E loucamente correndo,
As gentes nada me diziam, ou sorriam.
Mas nunca desisti, ou desesperei,
E depois de muito procurar, 
E de ter muita esperança e amor,
As encontrei, encostadas a um penedo,
Junto a uma fraga, choravam,
E eu me juntei, chorando também. 
Como a cascata deitava sua águas,
Com lágrimas de satisfação,
Fui ao seu encontro
E abraçando-as, as beijei, 
Em lágrimas de alegria,
Saudades da minha Lisboa
Que de perdidas as reencontrei....

PEDIDO.......



Quero fazer um pedido ao tempo, o remédio de muitos males, quero que ele transforme o medo em coragem, quero que ele apague as lembranças dolorosas, quero que ele me mostre o que for verdadeiro e me ensine com meus erros. Quero tempo e receio o tempo, onde me perco e me acho tantas vezes, a passagem das horas nem sempre convém....

DIA MUNDIAL DA POESIA....



DIA MUNDIAL DA POESIA..
 Março 21

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

As Palavras consomem-me o Raciocínio...

Vagueiam na minha Mente como Dançarinas Árabes...

As suas Letrinhas saltam Delirantes no Jardim do meu Cérebro...
Pedem-me, amiúde, para as Organizar por Turmas e lhes dedicar Temas...
Eu sou o Professor de Filosofia e Elas o meu Recital...

Pego nas Letras sempre com um Júbilo Renovado próprio de quem vai de Novo Renascer...
Transformo-as em Palavras fazendo Delas a minha Família Narrativa...

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

As Letras estão no Recreio e Sinto a sua Irreverência...

Não vou conseguir facilmente Esgrimir Frases porque elas Dançam Mirabolantes...
Não vou conseguir facilmente Inventar Palavras pois elas Rodopiam Ofegantes...

Eu sou o Professor de Filosofia e elas o meu Recital...

Amanheço com a Simbiose que me Germina a Literatura...
Adormeço com o Paladar que a Poesia me Ensina...

As Palavras consomem-me o Raciocínio...

Nelas vejo o Despeito, a Inveja, a Lascívia e o Enamoramento...

Adoro fazer Castelos de Cartas com as Letritas Rebeldes que a minha Imaginação Alimenta...
Adoro Amamentar a minha Música Interior com o Som Profano que a sua Emoção Fotografa...

Faço o Sumário da minha Vida todos os dias quando Acordo...
As Letras projectam-se no meu Universo construindo Imagens Bíblicas...

As Palavras saltitam Imberbes sob o meu Olhar Fixo e Mundano...
As Frases acompanham-me numa Viagem sem Fim… 
A Caminho da Vida...

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

As Letras estão no Recreio e Sinto a sua Irreverência...
Vou Ficar a Observá-las...

Paciente...
Orgulhoso...
Intimidado...

Olho o Céu…
Cerro os Olhos…
Ouço unicamente uma Sinfonia de Palavras…
Vou Chamar-lhes…The Dancing Words…

PRIMAVERA........



Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é…

SOBRE UM POEMA ....



Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente 
na confusão da carne, 
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, 
talvez como sangue 
ou sombra de sangue pelos canais do ser. 

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência 
ou os bagos de uva de onde nascem 
as raízes minúsculas do sol. 
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis 
do nosso amor, 
os rios, a grande paz exterior das coisas, 
as folhas dormindo o silêncio, 
as sementes à beira do vento, 
- a hora teatral da posse. 
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço. 

E já nenhum poder destrói o poema. 
Insustentável, único, 
invade as órbitas, a face amorfa das paredes, 
a miséria dos minutos, 
a força sustida das coisas, 
a redonda e livre harmonia do mundo. 

- Em baixo o instrumento perplexo ignora 
a espinha do mistério. 
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.....

A VIAGEM DE TREM ...



A Vida e a Viagem de Trem
A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.

Quando nascemos, entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas pessoas, que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco, nossos pais.

Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Isso porém não nos impedirá que durante o percurso, pessoas que se tornarão muito especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis!

Muitas pessoas embarcarão nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontos a ajudar quem precise.

Vários dos viajantes quando desembarcam deixam saudades eternas, outros tantos quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não nos impede é claro que possamos ir ao seu encontro. No entanto, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já haverá alguém ocupando aquele assento.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas, porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento eles poderão fraquejar e precisaremos entender, porque provavelmente também fraquejaremos e com certeza haverá alguém que nos acudirá com seu carinho e sua atenção.

O grande mistério afinal é que nunca saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros de viagem, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades. Acredito que sim, me separar de muitas amizades que fiz será no mínimo doloroso, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste com certeza... mas me agarro na esperança que em algum momento
estarei na estação principal e com grande emoção os verei chegar. Estarão provavelmente com uma bagagem que não possuíam quando embarcaram e o que me deixará mais feliz será ter a certeza que de alguma forma eu fui uma grande colaboradora para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.....

VIAGEM...



A Viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. 
E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.[...]

O fim de uma Viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava…

É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.

É preciso recomeçar a Viagem…Sempre…